Dentre as várias revoltas populares ocorridas no Brasil entre fins do século XIX e início do século XX, trataremos aqui daquele que ficou conhecido como “A Guerra do Contestado”, conflito desencadeado em outubro de 1912 na cidade de Irani na região centro oeste de Santa Catarina entre tropas paranaenses e um grupo de sertanejos sem-terras cuja liderança naquele momento estava afeta ao monge José Maria de Santo Agostinho.
O Contestado: Contexto Histórico e Geográfico
Chamou-se Contestado a área de 40 mil quilômetros quadrados disputada por Santa Catarina e Paraná. Interessante destacar que além de terras, havia em jogo grandes florestas de madeiras nobres e imensos ervais nativos, que produziam erva-mate. Santa Catarina já havia ganhado três disputas judiciais no Supremo, sem nunca ver cumprida suas determinações
Fonte: http://contestadoaguerradesconhecida.blogspot.com/
Buscaremos neste espaço fazer uma breve análise histórica sobre o evento e neste contexto discutir os determinantes estruturais desta rebelião, propondo uma abordagem alternativa para a sala de aula, que possibilite analisar a questão também pelo viés do materialismo histórico, uma vez que se percebe ingredientes relevantes e que estão intrinsecamente imbricados, tais como: aspectos de cunho econômico, político, cultural e religioso.
Principais características da Guerra do Contestado:
Este conflito teve características nitidamente populares, uma vez que estes se mobilizaram em defesa de territórios, ideais e objetivos sendo na maioria das vezes encabeçado por lideranças locais. Apesar da diversidade de fatores permeava os grupos sociais da região, um nos parece determinante – o descaso com que o Governo federal da antiga República e também as lideranças políticas locais tratavam a situação de pobreza e miséria que se encontrava a maior parte da população, produzindo deste modo constantes conflitos e tensões. Estes se agravaram bastante com a construção da ferrovia projetada para interligar São Paulo a todo o eixo sul do Brasil no que se refere a questões econômicas e geográficas, está concessão foi feita pelo Governo brasileiro a Cia americana Brazil Railway Company, tendo sido esta obra concluída no ano de 1913.
Impactos promovidos pelo conflito:
As conseqüências para toda a região foi altamente impactante uma vez que além de contribuir para o a aumento de desemprego na região, devemos ainda levar em consideração a logística que foi montada para suprir a demanda da obra tendo sido construída para este fim a segunda maior Serraria da América do Sul, sendo esta de propriedade da também multinacional a Southern Brazil Lumber & Colonization Company Inc. Esta não se contentou apenas com a faixa de terras concedida pelo Governo Federal para executar o projeto da ferrovia, e empreendeu esforços para comprar e em alguns casos até usando de violência para conseguir obter mais terras de particulares, chegando a acumular no pico de sua administração a exorbitante quantia de180 mil hectares de terras na região, este fator contribuiu enormemente para agravar imensamente o clima de insatisfação e revolta na região.
Este conjunto de fatores convergia em só sentido, ou seja: para a expulsão dos camponeses e habitantes nativos da região, a ocupação de suas terras e a exploração das ricas reservas de pinheiro e araucária. Nesse período praticou-se a primeira devastação ecológica industrialmente planejada na América Latina com a derrubada de mais de 2 milhões de pinheiros e outras madeiras nobres.
A Madereira Lamber cumpre um papel importante no contexto da expulsão de posseiros na região do meio oeste catarinense, além do desmatamento. Fonte: http://contestadoaguerradesconhecida.blogspot.com/
Como pode ser observado foram vários os acontecimentos que produziram o levante popular do Contestado, que ainda teve a contribuição ocasionada pela disputa dos limites geográficos entre Paraná e Santa Catarina, uma contenda que se arrastava desde 1853, quando foi criada a província do Paraná, sendo que esta disputa chegou ao seu ápice em 1904 e só foi de fato definida quando se deu o fim da Guerra do Contestado. Que outras perdas gerou o conflito? Durante os quatro anos que durou a Guerra do Contestado morreram cerca de 20 mil pessoas – fração equivalente a um terço da população de Santa Catarina, à época.
Considerações para a reflexão:
Ressaltamos que está reflexão não se dá no sentido de ser meramente diferentes ou mesmo tentar camuflar as contribuições que o contexto religioso impingiu ao conflito, e sim, alertar aos leitores para o fato de que tais influências foram sim, parte importante, mais que devem ser analisadas como complementares de um movimento social extremamente complexo e que por sua natureza não poderia ser reduzido simplesmente um movimento popular messiânico com se percebe em algumas formulações teóricas.
Anastás Marcaf - Monge conhecido como João Maria durante a Guerra do Constestado. Foi ele um dos líderes do movimento, que casualmente se tornou um ícone, pois após a sua morte surge o mito a partir do fundamento milenarista onde se acreditava na criação de um exército celestial com o seu retorno. Fonte: http://contestadoaguerradesconhecida.blogspot.com/
O desenvolvimento das leituras das quais resultaram este trabalho, possibiltou-nos perceber que a bibliografia sobre a Guerra do Contestado tem caráter predominantemente messiânico apontando este como sendo o principal causador ideológicos do conflito a partir de figuras representativas do catolicismo popular. Além disso, afirmam alguns teóricos sem muito aprofundamento que parte dos sujeitos envolvidos naquele conflito eram contrários ao regime republicano implantado no Brasil e defendiam a volta do regime monárquico. Não seria este confuso discurso de fundar uma monarquia, na verdade um sonho de voltar aos tempos em que a vida havia sido mais digna e generosa para com os mais humildes.
Anastás Marcaf - Monge conhecido como João Maria durante a Guerra do Constestado. Foi ele um dos líderes do movimento, que casualmente se tornou um ícone, pois após a sua morte surge o mito a partir do fundamento milenarista onde se acreditava na criação de um exército celestial com o seu retorno. Fonte: http://contestadoaguerradesconhecida.blogspot.com/
O desenvolvimento das leituras das quais resultaram este trabalho, possibiltou-nos perceber que a bibliografia sobre a Guerra do Contestado tem caráter predominantemente messiânico apontando este como sendo o principal causador ideológicos do conflito a partir de figuras representativas do catolicismo popular. Além disso, afirmam alguns teóricos sem muito aprofundamento que parte dos sujeitos envolvidos naquele conflito eram contrários ao regime republicano implantado no Brasil e defendiam a volta do regime monárquico. Não seria este confuso discurso de fundar uma monarquia, na verdade um sonho de voltar aos tempos em que a vida havia sido mais digna e generosa para com os mais humildes.
Partindo desta lógica que tem sido comumente aceita sem muitas contestações, apresentamos os seguintes questionamentos propostos pela historiadora Luzia Sônia Cezini em artigo escrito sobre a temática:
Acesse ao formulário online e responda:
https://docs.google.com/document/d/1IdB9fD-ZQQVori2GWJgxiUPjd1w-PI8BJ-bLTdAX4f0/edit
Glossário do texto sobre a Guerra do Contestado
1 - im.bri.car, transitivo direto
- Tornar impbricado
- (Figurado) ligar(-se) estreitamente a
- dispor (coisas) de maneira que só em parte se sobreponham umas às outras, como as telhas do telhado ou as escamas do peixe
- dispor-se (coisas) dessa maneira
Etimologia da palavra: Do latim imbrico, as, ávi, átum, áre - cobrir com telhas côncavas; p.ext. dispor objetos uns sobre os outros, inter-relacionar; ver imbric-; f.hist. 1783 imbricado, 1881 imbricar.
2 - con.ces.são feminino - Substantivo
- privilégio, direito ou vantagem concedida em favor de outro
- ato de conceder
- condescendência, permissão
Etimologia da palavra: Do latim concessióne
3 - lo.gís.ti.ca - Substantivo
Área de gestão responsável por prover recursos, equipamentos e informações para a execussão de todas as atividades de uma empresa. Etimologia da palavra: Do francês logistique.
4 - con.ver.gir – Verbo
1. Tender, dirigir-se (para um ponto comum)
2. concorrer, afluir (ao mesmo lugar)
3. Tender (para um mesmo objetivo)
5 - de.vas.ta.ção - Substantivo
1. destruição
Etimologia da palavra: Do latim devastatĭo, -ōnis.
6 - con.ten.da feminino - Substantivo
1. ato ou efeito de contender;
2. luta, combate, briga;
3. debate, porfia, disputa, discussão
1. ato ou efeito de contender;
2. luta, combate, briga;
3. debate, porfia, disputa, discussão
7 - á.pi.ce - Substantivo
1. topo, cume
2. apogeu
Etimologia da palavra: Do latim apex, -ĭcis.
8 - mes.si.â.ni.co, masculino - Adjetivo
9 - ca.to.li.cis.mo - Substantivo
- doutrina baseada nos ensinamentos de Jesus Cristo, e cuja representatividade se dá pelos sacerdotes nomeados pela Santa Sé - a Igreja Católica Apostólica Romana, com sede no Vaticano, e sob a autoridade do Papa.
Referências bibliográficas:
CEZINI, Luzia Sônia. A Guerra do Contestado: para além do Messianismo. Disponível em: www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/2285-8.pdf. acessado em 28/10/2011 as 11:32 horas.
ALVAREZ, Maria Carmem. Ensinando História do Paraná: Uma experiência sobre a Guerra do Contestado. Disponível em: www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/2218-8.pdf. Acessado em 28/10/2011as 11:00 horas.
LIMA, Soeli Regina. História e Literatura Infantil nas Séries Iniciais: Um entrecruzamento de sucesso para a aprendizagem da Guerra do Contestado. Disponível em: http://abeh.org/trabalhos/GT11/tcompletosoeli.pdf. Acessado em 27/10/2011 as 23:02 horas.
A Guerra do Contestado. Disponível em http://contestadoaguerradesconhecida.blogspot.com/ Acessado em 28/10/2011 as 22:52 horas.


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